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Absenteísmo e Sinistralidade: como a medicina do trabalho ajuda a reduzir custos

Sabemos que a saúde e a qualidade de vida dos funcionários são as maiores prioridades dentro da gestão de uma empresa moderna. Já falamos também como a Medicina do Trabalho pode ajudar neste aspecto e dá pra reduzir o Absenteísmo e Sinistralidade também.

Assim, muitos empresários e gestores ligados à área de recursos humanos foram colocados em uma verdadeira sinuca de bico diante do encarecimento generalizado dos produtos corporativos oferecidos pelas operadoras de plano de saúde.

Se por um lado é absolutamente inconcebível revogar todos os benefícios dos colaboradores, por outro o custo com os planos de saúde pode ser superior ao que a empresa tem condições de arcar. E aí, o que podemos fazer nessas horas?

Felizmente, nem tudo está perdido: há diversas posturas que podem ser adotadas pelo gestor com vistas a mitigar esse tipo de despesa. Por isso, dedicamos o artigo de hoje a tratar exclusivamente do tema.

Falaremos sobre como reduzir a sinistralidade da empresa e também sobre como adotar ações para melhorar a saúde e a satisfação dos colaboradores no ambiente de trabalho. Confira a seguir!

De onde vem o termo “sinistralidade”?

Dentro do vocabulário da área de seguros, “sinistro” é um evento imprevisto e involuntário discriminado em contrato que causa dano ao segurado e implica em uma prestação por parte da seguradora, como o pagamento de uma indenização, por exemplo.

Se pensarmos no seguro de um automóvel, um furto ou uma batida de trânsito seriam bons exemplos de sinistros. Já na área do seguro de saúde, podemos considerar como “sinistro” toda ocasião em que o segurado faz uso do serviço médico, como acontece em uma consulta ou internação, por exemplo.

O que, exatamente, é sinistralidade?

Utilizando, mais uma vez, o exemplo do seguro automobilístico, podemos notar que quando renovamos o contrato a cada ano, existe a possibilidade de o prêmio pago ficar mais barato a depender da ocorrência ou não de sinistros durante a vigência da apólice anterior.

Trata-se de uma forma de prestigiar o proprietário de veículo por sua diligência e cuidado com o carro, afinal, nada mais justo do que cobrar mais de quem usa mais o serviço e menos de quem usa menos.

O mesmo também acontece quando estamos falando de planos de saúde. Não é justo que a empresa que usa pouco os serviços cobertos pelo plano pague o mesmo valor que a empresa que usa muito.

É por isso que existe um indicador chamado sinistralidade, que avalia os custos que a operadora do plano tem de arcar em razão dos sinistros, em função do valor que ela recebe a título de prêmios.

Como calcular a sinistralidade?

Em verdade, o calculo do valor da sinistralidade é bastante simples. Basta dividir o valor desembolsado pela operadora para atender os sinistros pelo prêmio recebido por ela. A partir daí, teremos um valor que representa um percentual.

Suponhamos, assim, que a soma do prêmio pago por determinada empresa seja de 100 mil reais em determinado ano e que, nesse mesmo ano, a operadora tenha que desembolsar 80 mil reais para atender aos sinistros dos beneficiários daquela empresa.

Nesse caso, a taxa de sinistralidade será de 0,8 ou 80%. Quanto maior o valor encontrado, menos vantajosa a negociação fica para a operadora.

Por que a sinistralidade é importante para a empresa?

É certo que em muitos casos a empresa não tem como saber exatamente qual é o custo que a operadora do plano de saúde tem com os seus beneficiários. No entanto, isso não quer dizer que o cálculo da sinistralidade seja desimportante para o gestor de RH. Muito pelo contrário!

A sinistralidade é muito importante, já que de acordo com determinações da ANS, a operadora deve levar o indicador em consideração no momento de reajustar os valores relativos ao prêmio pago pela empresa.

Como reduzir a sinistralidade da empresa?

Talvez o método mais conhecido para reduzir a sinistralidade dentro da empresa seria estabelecer uma participação por parte do colaborador toda vez que ele precisar utilizar a assistência medica ou hospitalar, a chamada coparticipação. Mesmo que o valor seja pequeno, isso já desmotiva a utilização indiscriminada do plano de saúde.

Uma forma interessante de reduzir a sinistralidade é adotar procedimentos saudáveis dentro da empresa. Isto é: incentivar a utilização de equipamentos de proteção individual, promover conhecimento sobre a importância da postura correta, etc.

A empresa pode, ainda, oferecer a seus colaboradores atividades esportivas, caminhadas ao ar livre ou alongamentos, por exemplo. Isso é importante para introduzir um estilo de vida saudável para quem, eventualmente, não o conheça. Muitas pessoas passam a se alimentar melhor e praticar mais atividades físicas a partir do momento em que recebem um pequeno incentivo.

Além de tudo isso, não custa salientar que, assim como em muitos outros casos, o gestor não deve pensar duas vezes antes de transformar o usuário em um parceiro. Muitos beneficiários de planos de saúde ignoram por completo o fato de que a utilização dos serviços contratados pode encarecer os valores contratados com a operadora.

Não podemos descartar a potencialidade da ação voluntária de cada funcionário!

Qual o papel da tecnologia no assunto?

Os sistemas de informática têm um papel importante não apenas no que diz respeito ao cumprimento das leis de medicina e segurança do trabalho, mas também na redução dos custos da empresa com o plano de saúde de seus funcionários. O tempo que o funcionário passa dentro da empresa corresponde, em média, a um terço do seu dia.

Por isso, a organização tem a oportunidade de melhorar suas práticas nesse sentido e ganhar colaboradores mais saudáveis e menos susceptíveis a contraírem moléstias e, consequentemente, a lançarem mão das prerrogativas do plano de saúde, reduzindo, assim, a sinistralidade.

O uso de um sistema de tecnologia ajuda a coleta de dados e a análise como veremos a seguir.

O que sinistralidade tem a ver com absenteísmo?

Controlar absenteísmo hoje é o grande desafio das empresas não só em função dos impactos financeiros que ele produz internamente como fora dela em virtude de muitas dessas faltas produzirem benefícios previdenciários. Fala-se muito em redução do déficit previdenciário, mas ainda pouco se atuou no aspecto preventivo.

Podemos começar estudando os fatores clínicos e epidemiológicos da população de trabalhadores que estão sendo assistidos pela medicina do trabalho da empresa.

As empresas precisam criar dados estatísticos bem fundamentados para estudo do absenteísmo. Assim a Medicina do trabalho poderá propor estratégias específicas de redução sabendo onde se originam e quais as prevalências das doenças.

Anamnese ocupacional

Quanto às causas decorrentes de doença devem-se atentar se são decorrentes do trabalho ou não o que uma boa consultoria de Segurança e Medicina do Trabalho pode responder. As que forem atribuídas à atividade laborativa devem ser amplamente investigadas para evitar o adoecimento coletivo dos empregados que trabalham nas mesmas condições.

Culp (1992) apud Alves, 1999, classificou o absenteísmo em três tipos:

  • causas intrínsecas ao trabalho ou que refletem na satisfação do trabalhador;
  • causas extrínsecas ao trabalho ou não controláveis decorrentes de fatores ambientais
  • causas de personalidade.

São os seguintes custos do absenteísmo que elevam a sinistralidade:

  1. perda de produtividade pelo trabalhador ausente
  2. horas extras pagas para outros empregados
  3. diminuição da produtividade com redução do quadro
  4. custos para garantir o mínimo de produção
  5. perda de negócios com insatisfação dos clientes

Então o Absenteísmo e a redução da Sinistralidade controlados pela Medicina do Trabalho requerem a análise das variáveis que vão além da análise médica de dados gerados por atestados médicos.

Levamos em conta:

Número de empregados e distribuição por setor: O impacto dos atestados médicos sobre os setores está vinculado ao número de empregados distribuídos no mesmo, a relação de afastados e total geral de funcionários da empresa. Com isso podemos dizer que o impacto é maior em setores com menor número de funcionários ou mão de obra mais especializada.

Medicina do trabalho

Para a boa prática da medicina do trabalho isso significa:

Fazer acompanhamento regular e mensal das causas de ausência ao trabalho, comparando com o mês anterior para poder analisar a evolução.

Identificar as patologias como causas ou fatores predisponentes as faltas ao trabalho tais como hipertensão arterial, doenças osteo-musculares-articulares, diabetes, cardiopatia, viroses em geral, infecções de pele, estresse físico e emocional, cólica renal, doenças autoimunes, conjuntivite e acidentes de trabalho.

Após essa identificação devemos criar um programa de ações que permitam corrigir os indicadores verificados.

São ações como : palestras ,treinamentos, diálogos de saúde ,distribuição de material educativo por meios eletrônicos que incentivem o funcionário a participar.

Gostou do nosso artigo sobre sinistralidade? Agora conheça 4 mitos da segurança do trabalho!

Dr. José Cláudio Rangel Tavares é Médico do Trabalho, Perito Assistente da Justiça do Trabalho e Responsável Técnico nas empresas OKUP| Fortrab

José Cláudio Rangel Tavares

Médico graduado em 1992, fez residencia em Clínica Médica até 1994. Especialista em Medicina do Trabalho e Medicina de Trafego e atua como perito em causas trabalhistas. Fundou em 2008 uma Consultoria em Saúde Ocupacional onde trabalha como Médico do Trabalho Coordenador em empresas de vários segmentos (indústria, mineração, sondagem, eletrificação e terceirização de serviços). Trabalha na gestão e Serviços em Saúde e Segurança do Trabalho usando Tecnologia para atender as demandas do setor.

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