A NR-01 integra os riscos psicossociais e GRO ao exigir que eles sejam identificados, avaliados e controlados dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na prática, esses riscos passam a ter o mesmo peso técnico que riscos físicos, químicos e biológicos, deixando de ser tratados como um tema isolado.
Essa integração muda a forma como as empresas devem lidar com saúde mental no trabalho. Não se trata mais de ações pontuais ou documentos paralelos, mas de uma gestão estruturada, contínua e conectada à organização do trabalho.
Por que a NR-01 exige a inclusão dos riscos psicossociais no GRO?
A NR-01 estabelece um modelo preventivo baseado na identificação de perigos, avaliação de riscos e definição de controles. Como o Brasil não possui uma norma exclusiva para riscos psicossociais, a integração ocorre de forma transversal, dentro do próprio GRO. Isso obriga as empresas a analisarem fatores como carga de trabalho, metas, relações interpessoais, comunicação, pressão por resultados e uso intensivo de tecnologias como parte do inventário de riscos.
Além disso, a norma reforça que a prevenção deve atuar na causa raiz. Ou seja, antes de pensar em medidas individuais ou ações clínicas, a empresa precisa revisar como o trabalho está organizado e quais fatores estão gerando sofrimento ou sobrecarga.
O que a experiência prática mostra sobre essa integração
Na prática profissional, é comum encontrar PGRs que mencionam riscos psicossociais de forma genérica, sem critérios claros de avaliação ou plano de ação real. Muitas empresas ainda acreditam que oferecer apoio psicológico ou palestras pontuais é suficiente para cumprir a NR-01, quando, na verdade, isso não substitui a gestão preventiva exigida.
Outro erro frequente é não conectar o PGR ao PCMSO. Quando os riscos psicossociais identificados no inventário não orientam as ações de saúde ocupacional, perde-se a lógica integrada que a NR-01 exige, fragilizando toda a gestão.
Como funciona o fluxo integrado: GRO, PGR e PCMSO
A integração dos riscos psicossociais segue um fluxo definido pela NR-01. Primeiro, ocorre a identificação de perigos, considerando tarefas, organização do trabalho, relações interpessoais e ambiente digital. Em seguida, esses perigos são avaliados quanto à probabilidade e severidade, permitindo classificar o nível de risco.
Com base nessa avaliação, são planejadas medidas de controle, priorizando ajustes organizacionais, como revisão de metas, pausas, definição de papéis e melhoria da comunicação. Por fim, o inventário de riscos do PGR deve alimentar o PCMSO, que passa a planejar ações de vigilância e acompanhamento coerentes com os riscos psicossociais identificados.
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O pulo do gato: onde as empresas mais se expõem ao risco
O maior problema não é a ausência de documentos, mas a falta de coerência entre eles. Um PGR que cita riscos psicossociais sem plano de ação, ou um PCMSO que ignora esses riscos, pode ser interpretado como omissão. Em situações de afastamentos, ações trabalhistas ou questionamentos previdenciários, essa fragilidade documental e técnica aumenta significativamente o risco para a empresa.
Cumprir a NR-01 “no papel” não protege contra responsabilizações quando não há evidência de gestão real e integrada.
Próximo passo
Se sua empresa ainda trata riscos psicossociais como um item genérico ou desconectado do PGR e do PCMSO, o próximo passo é revisar a estrutura do GRO com foco na organização do trabalho. Uma análise técnica bem conduzida permite alinhar documentos, ações preventivas e práticas reais, reduzindo riscos legais e impactos na saúde dos trabalhadores.


