quinta-feira, janeiro 15, 2026

Avaliação Psicossocial : Tudo que você precisa saber em 2026

Criada com o objetivo de avaliar trabalhadores expostos a atividades de risco, a avaliação psicossocial é um exame técnico que deve ser realizado exclusivamente por profissionais legalmente habilitados na área da saúde e da medicina do trabalho. Seu principal propósito é analisar as condições emocionais, comportamentais e cognitivas do colaborador frente às exigências da função que desempenha.

De forma geral, empresas e até mesmo os próprios trabalhadores costumam associar riscos ocupacionais apenas aos fatores físicos, como quedas, choques ou acidentes mecânicos, sem considerar os riscos de natureza mental e emocional. Nesse contexto, a avaliação psicossocial se destaca como o instrumento capaz de identificar riscos psicológicos que não são visíveis em exames clínicos convencionais.

Em funções que exigem elevado controle emocional, atenção contínua e tomada de decisões sob pressão, é comum que o trabalhador experimente desgastes psicológicos progressivos. Muitas vezes, esses sinais são interpretados apenas como cansaço ou estresse cotidiano. A avaliação psicossocial permite identificar precocemente essas alterações, possibilitando intervenções antes que quadros mais graves se desenvolvam.

Quando fazer a avaliação psicossocial?

Tradicionalmente, a avaliação psicossocial é aplicada no momento da admissão de profissionais que irão atuar em espaços confinados, trabalho em altura ou outras atividades classificadas como funções de risco. No entanto, esse exame também pode — e deve — ser realizado em trabalhadores que já exercem essas funções há algum tempo.

Por meio dessa avaliação, a empresa obtém um parâmetro técnico para verificar se o colaborador está apto a desempenhar suas atividades de risco com segurança. Muitas dessas funções exigem atenção plena, estabilidade emocional e capacidade de reação adequada, já que qualquer falha de foco pode resultar em acidentes graves ou fatais.

Outro benefício relevante da avaliação psicossocial é a resposta objetiva quanto à compatibilidade entre as características psicossociais do trabalhador e as exigências da função exercida. Esse critério é fundamental para a gestão responsável dos riscos ocupacionais.

Não existe uma periodicidade fixa e universal para a realização das avaliações psicossociais. Mesmo um trabalhador que ingressa saudável pode, ao longo do tempo, ser impactado por fatores estressores do ambiente laboral. Cabe ao médico do trabalho e à empresa identificar o momento adequado para reavaliar, considerando as condições de trabalho e o histórico funcional.

Quais problemas você evita fazendo a avaliação psicossocial?

A avaliação psicossocial permite identificar características emocionais e comportamentais que muitas vezes passam despercebidas, especialmente em trabalhadores que já estão há anos exercendo a mesma função.

Há inúmeros relatos de profissionais que desenvolvem transtornos psicológicos relacionados ao trabalho por ausência de diagnóstico precoce. Quando não identificados a tempo, esses quadros podem evoluir para condições mais graves, como transtornos de ansiedade, síndrome do pânico e depressão.

Essas situações não afetam apenas o trabalhador individualmente, mas também impactam a equipe e a organização como um todo. O adoecimento psicológico pode gerar conflitos interpessoais, queda de produtividade e comprometimento do desempenho coletivo.

Do ponto de vista do colaborador, a avaliação psicossocial contribui para a prevenção de problemas como estresse crônico, depressão, ansiedade e outros transtornos mentais. Sua principal função é identificar riscos psicológicos antes que se manifestem de forma mais severa.

Com base nos resultados, é possível implementar medidas preventivas e de acompanhamento, reduzindo a progressão dos sintomas e promovendo a saúde mental no ambiente de trabalho.

Para a empresa, os benefícios incluem a redução de afastamentos, maior equilíbrio da equipe, aumento do engajamento e prevenção de perdas operacionais. Além disso, o cuidado com a saúde mental contribui para a conformidade legal e a sustentabilidade organizacional.

Outro ponto relevante é a redução do risco de ações judiciais, uma vez que diversas normas regulamentadoras já orientam a obrigatoriedade de avaliação psicossocial conforme a atividade exercida, entre elas:

NR-10;
NR-11;
NR-20;
NR-34;
NR-33;
NR-35.

Essas normas estabelecem critérios específicos para a proteção da saúde física e mental do trabalhador.

Qual profissional pode aplicar a avaliação?

A aplicação da avaliação psicossocial pode ser feita por psicólogos ou médicos do trabalho devidamente habilitados e registrados em seus respectivos conselhos profissionais. A solicitação formal do exame, no entanto, deve ser feita pelo médico coordenador do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) da empresa.

Como se trata de uma avaliação que considera não apenas o comportamento no ambiente de trabalho, mas também fatores externos — como relações sociais, rotina pessoal e contexto de vida — a atuação do psicólogo é essencial. Esse profissional possui formação específica para avaliar aspectos como autoconhecimento, inteligência emocional, resiliência e capacidade de enfrentamento do estresse.

Em qual contexto é utilizado?

A avaliação psicossocial pode ser aplicada em diferentes contextos: admissões, mudanças de função, realocação de setor e avaliações periódicas com caráter preventivo. Seu uso é especialmente indicado em empresas cujas atividades apresentam risco psicológico significativo.

Os procedimentos envolvem testes psicológicos padronizados e questionários específicos de avaliação psicossocial, que permitem uma análise abrangente do indivíduo.

Esses instrumentos possibilitam identificar fatores individuais, organizacionais e traços de personalidade, bem como condições do ambiente de trabalho que possam interferir negativamente na saúde mental do colaborador.

Mitos e verdades sobre a avaliação psicossocial

Apesar de a avaliação psicossocial ser exigida por lei para determinadas atividades, muitas empresas ainda não a tratam com a devida seriedade. Em alguns casos, substituem o exame por questionários simplificados, sem validade técnica, que não conseguem identificar riscos reais.

Essa prática costuma ocorrer por receio de aumento no número de profissionais considerados inaptos para funções de risco. No entanto, esse é um equívoco comum. A avaliação psicossocial não se baseia em um único resultado isolado, mas em um processo contínuo, com avaliações periódicas que permitem uma análise mais precisa.

É importante compreender que fatores emocionais podem variar ao longo do tempo. Um resultado pontual pode refletir apenas um momento específico, o que reforça a importância do acompanhamento contínuo.

Cabe à empresa buscar profissionais especializados e aplicar os instrumentos adequados conforme a função exercida, considerando também a cultura organizacional e os riscos específicos aos quais os trabalhadores estão expostos.

Quais testes geralmente são aplicados?

A seguir, estão alguns dos testes mais utilizados em avaliações psicossociais:

Palográfico:
Teste gráfico no qual o avaliado realiza traços verticais. A análise permite observar aspectos da personalidade, organização, controle emocional e iniciativa.

Escala de Avaliação da Impulsividade – Formas A-B (ESAVI A-B):
Avalia o nível de impulsividade e a tendência a reações rápidas diante de estímulos internos e externos, analisando possíveis impactos comportamentais.

Bateria Geral de Funções Mentais – Testes de Atenção Difusa (BGFM-1):
Utilizada para avaliar a capacidade de atenção difusa e o funcionamento global das funções mentais.

Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA):
Instrumento que analisa diferentes tipos de atenção, como atenção concentrada, dividida e alternada.

Escala dos Pilares da Resiliência (EPR):
Questionário que permite identificar o nível de resiliência do trabalhador e quais pilares estão mais ou menos desenvolvidos.

Teste Pictórico de Memória Visual (TEPIC-M):
Avalia a capacidade de retenção da memória visual, com parâmetros validados para diferentes faixas etárias.

Escala Baptista de Depressão (EBADEP):
Instrumento de rastreio de sintomas depressivos, considerando aspectos psiquiátricos e comportamentais.

Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT):
Avalia o impacto das situações cotidianas de trabalho sobre o comportamento e o equilíbrio emocional do trabalhador.

Os testes são importantes para diversas funções

Após a aplicação e análise desses instrumentos, é possível concluir se o trabalhador apresenta condições psicológicas e emocionais compatíveis com o exercício de funções de risco. Dessa forma, acidentes e adoecimentos mentais podem ser prevenidos, promovendo um ambiente de trabalho mais seguro, saudável e juridicamente adequado.

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Atenção

Demissão sem exame demissional é possivel ?

Há situações em que o exame demissional não é necessário, como quando um exame médico ocupacional foi realizado nos últimos 135 dias (para empresas de grau de risco 1 e 2) ou nos últimos 90 dias (para empresas de grau de risco 3 e 4)

Dr José Cláudio Rangel Tavares

Médico do Trabalho (CRM-MG 25371 | RQE 13946), com atuação em exames ocupacionais, avaliações médico-legais como Perito Médico Assistente e gestão de fatores psicossociais relacionados ao trabalho (NR-1). Atua na Clínica Exames Ocupacionais, em Belo Horizonte (MG), apoiando empresas na tomada de decisões técnicas seguras em conformidade com a legislação trabalhista e previdenciária. https://www.linkedin.com/in/jcrtavares/